Luciano Spalletti

O homem que tira leite de pedras, o milagre giallorosso e se Mourinho é internacionalmente conhecido como "special one" Luciano é tido para nós romanistas pelo singelo pseudônimo de "uno miracolo".

Iniciou sua carreira como meio campista aos vinte e seis anos de idade no Vitus Entella, passando depois por Spezia, Viareggio e mais tarde no Empoli (1991-1993) onde encerra sua carreira no jogador. Em 1994 inicia sua trajetória ja como treinador comandando o mesmo time que pendurou as chuteiras, o Empoli. No clube toscano ficou até 1998 antes de passar a Sampdoria em 1998/99. Na temporada seguinte assinou com o Venezia e em 2000/01 com a Udinese. Treinou também o Ancona em 2001/02 antes de retornar no ano seguinte para Udine. Com a Udinese mais três anos desenvolvendo um trabalho excepcional com o time friulano.

Spalletti chegou em Roma no verão de 2005 e o céu da capital parecia desabar sobre a cabeça de seus torcedores. Na temporada anterior brigamos para não cair e quatro técnicos, algo que nunca aconteceu em oitenta anos de história, passaram pelo comando técnico do time. Para se ter uma idéia a situação era tão ruim que nem mesmo um pulso forte alemão como Rudi Voeller conseguiu assumir os treinamentos do time que duraram pouco menos de um mês, tudo porque existia no âmago deste elenco o bad boy Antonio Cassano, que se por um lado sobrava em campo quando o assunto era talento por outro era extremamente difícil de se lidar.

Mas para a sorte do treinador da cidade de Certaldo, o barês foi negociado com o Real Madrid dias depois e assim um pouco de paz ele teria para recolocar a equipe nos trilhos. E ele veio porque já fazia um excelente trabalho com a Udinese fazendo com que inclusive o time friulano alcançasse a quarta colocação e com isso conquistasse a vaga a competição europeia.

Porém, devido a sanção imposta pela UEFA, devido aos problemas com a negociação do francês Phillipe Mexes, Luciano teria que trabalhar com o plantel que tinha sem se dar ao luxo de contar com outras contratações já que a federação europeia proibia tais contratações pelo período de um ano.

E os milagres aconteceriam já na primeira temporada: A Roma inicia uma série de vitórias inéditas na historia do campeonato italiano colecionando 11 consecutivas encerrando o ciclo justamente com a vitória sobre a Lazio por 2 a 0 com mando de campo dos celestes. No jogo seguinte, de fato o empate em 1 a 1 com a Inter encerraria o ciclo maravilhoso de vitórias romanistas que incendiou a capital e trouxe o espirito de vitoria novamente para Trigoria.

A temporada seguinte, porém começa com a mesma pedra no sapato da anterior: A Inter de fato era um time fora das proporções normais no que tange os conceitos básicos do futebol, e além de ter uma base madura com o capitão Zanetti e Maicon destruindo em sua melhor temporada, ainda trouxe para si quase boa parte do plantel da Juventus, obrigada a disputar a segunda divisão italiana depois do escândalo de fraudes esportivas envolvendo sua diretoria e quase toda a arbitragem italiana. Desta forma já no primeiro jogo ele dançou em uma absurda disputa pela Supercopa italiana, onde a Roma vencia por 3 a 0 e os nerazzurri conseguiram virar para 4 a 3 (tudo isto no segundo tempo de jogo, para se ter uma idéia da força que era a equipe de Milão na época, que inclusive no mesmo ano conquistou a Liga dos Campeões da Europa). Inacreditavelmente a Roma devolve o troco na disputa da Copa Itália onde aplica uma sonora goleada por 1,2,3,4,5,6 gols a dois e mesmo com a derrota por 2 a 1 em Milão conquista a competição dentre tantas outras decisões entre os dois clubes na época.

2007/08 também tem o troco no que diz respeito a Supercopa italiana aos nerazzurri de Milão e no dia 19 de agosto de 2007 Spalletti traz para a capital mais um título depois da vitória sobre a Inter por 1 a 0. No que tange ao campeonato, o melhor de todas as performances até então arquitetadas pela era spalletiana: 24 vitórias e oitenta e dois pontos terminando mais uma vez como vice-campeã da competição a 3 míseros pontos da super Inter. Por cinquenta e quatro minutos de fato a Roma foi campeã italiana na ultima rodada do campeonato. Como consolação no dia 24 de maio de 2008 se torna bi-campeã italiana da Copa Itália batendo mais uma vez a Internacionale de Milão.

Já no ano seguinte o técnico Luciano Spalletti começa a enfrentar algumas dificuldades. Coleciona bons resultados na Liga dos Campeões da Europa batendo por exemplo o forte Chelsea de Abramovic por 3 a 1 com uma super exibição de Mirko Vucinic. Na boa companheira Copa Itália é eliminada nas quartas de final pela Inter e com isso o adeus ao tri consecutivo. No campeonato os resultados só melhoram a partir de outubro e novembro inclusive com a vitória por 1 a 0 sobre a Lazio, porém não a altura das campanhas anteriores conquistando apenas a sexta colocação e uma vaga a Europa League, tendo esta como a pior temporada de Spalletti na Roma.

Com os resultados apresentados na temporada anterior parecia realmente consumado o final de um ciclo milagroso frente ao comando romanista e depois das duas derrotas consecutivas no campeonato 2009/10 Spalletti e diretoria giallorossa chegam a um consenso rescindindo o contrato depois de quatro anos e meio como técnico.

No dia 11 de dezembro de 2009 assina um contrato de três temporadas com o Zenit de São Petesburgo, a cifra de 4 milhões de euros por temporada. No dia 16 de maio do ano seguinte conquista a Copa da Russia e no dia 14 de novembro o campeonato da primeira divisão russa com duas rodadas de antecedência. No dia seis de março de 2011 conquista a Supercopa da Russia consolidando com isto a tríplice coroa russa do futebol.

Com todo o retrospecto meteórico no clube russo não foi difícil proporem a Luciano no dia nove de fevereiro de 2012 um prolongamento de contrato até 2015 com um cargo de diretor na sociedade além do salário de 3 milhões e trezentos mil euros por ano. No dia 28 de abril seguinte conquista o seu segundo campeonato consecutivo com três rodadas de antecedência, e por pouco não vence o terceiro (2012/13) a dois pontos do CSKA de Moscou.

Um bom filho torna a casa. Depois do barco do francês Rudi Garcia afundar de vez no inicio de 2016, a diretoria romanista tenta desesperadamente o retorno do milagroso homem de Certaldo para a capital. Spalletti fora se encontrar com o presidente James Pallotta nos Estados Unidos e depois de muita conversa com as exigências colocadas em pauta na mesa de negociação sela um contrato de 3 milhões de euros líquidos por um ano de prestação de serviços.

Encerra o semestre giallorosso que estava a deriva na quinta posição, levando a Roma para a terceira colocação e acesso preliminar para a Liga dos Campeões da Europa com 14 vitórias, inclusive a vitória sobre a Lazio por 4 a 1, 4 empates e três derrotas (duas destas para o Real Madrid pela Champions). Há quem diga (e não são poucos) que se Spalletti chegasse um pouco antes, a história desta temporada seria ainda mais intrigante.

Na temporada 2016/17, apesar dos mais de setenta por cento de aproveitamento, vê seu ano esportivo penalizado por alguns episódios que agravam sua relação principalmente com a torcida: o primeiro deles vem na eliminação melancólica na divisão de acesso para a Liga dos Campeões da Europa diante do fraco elenco do Porto. Na Europa League, apesar de ter chegado até as quartas de final, a falta de pulso técnico sobretudo na derrota por 4 a 2 para o Lyon revela pragmaticamente seu lado presunçoso. Somados a isso, a eliminação na Copa Itália para a Lazio divide de vez os amores da torcida romanista pelo técnico de Certaldo. Porém, a gota d'água final vem por conta de sua queda de braço com o capitão Francesco Totti, e até mesmo com a torcida, muitas vezes querendo demonstrar, desnecessariamente, que quem comandava o time era ele, criando uma atmosfera pesada dentro e ao redor do ambiente giallorosso e deste modo desviando o foco propriamente dito de equipe no entendimento da grande maioria dos críticos. Após a última partida da temporada, que também culminou com a despedida do futebol de Totti, Luciano Spalletti deixa o comando técnico da Roma definitivamente.

B I O S
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