NÃO DEU, QUE MAL…
Desperdiçamos os blues do Djavan e novamente diante dos malditos vermelhos da eterna rivalidade inglesa, vimos o sonho de uma Champions mais uma vez se esvair. Não quero nem falar do assalto da arbitragem, isso é um discurso inútil e desgastante que infinitamente não muda o cenário, mas quero destacar que pelo menos houve uma ameaça de dignidade desse time em tentar o quase impossível (mais uma vez). É querer esperar muito de um elenco que tem suas limitações e que entendemos: não fora montado para esse fim, e estar ali parece ter sido uma grande piada do destino, mais com fé e empolgação do que propriamente dito “meios adequados” fez e será lembrado com muito carinho e respeito na história giallorossa. Muito diferente da última vez quando saímos  das quartas escorraçados e humilhados naquela tragédia de Old Trafford, hoje a Roma deixa a competição com a cabeça erguida e acima de tudo com o devido respeito conuistado, dignidade e integridade. Quando um time respeita a camisa que veste não é preciso tantas palavras para enaltecê-lo, ocorre naturalmente.

Síntese: La Repubblica

Champions: distraídos, depois penalizados, os giallorossi bateram por 4 a 2 o Liverpool que enfrentará o Real no dia 26: contra os ingleses a última derrota dos espanhóis em 1981. A um gol do feito a Roma estaria na final se houvesse o Var.

Por: Fabrizio Bocca

A Roma sob a curva e o Liverpool em Kiev. Nada de bis do feito com o Barcellona, e um resultado invertido e próximo ao do jogo de ida (4 a 2). Olímpico em festa, mesmo diante de tudo: os gols de Dzeko e o bis de Nainggolan (mais o contra de Milner) não bastaram, mas a Roma sai da Champions com consideráveis 6 vitórias, depois de ter eliminado Atletico de Madrid, Chelsea e Barcellona e inclusive o Liverpool que em Kiev se verá com o Real (como em 81, ultima final perdida pelos blancos). Ninguém poderia esperar.

A equipe de Di Francesco fez uma bela partida, mas jamais conseguiu cultivar a esperança de classificação, suspensa depois de um resultado comprometedor. Cada erro, cada chegada do Liverpool, cada movimento do Salah, Firmino e Mané era um frio do coração. Porém o insistente Kolarov, um grande lateral com sonhos de atacante, desta vez não havia deixado os metros para Salah. E ao contrário havia superado atrás fazendo ficar na terra, quase a dizer-lhe que a festa acabou e não tinha concedido tudo aquilo que o formidável egípcio tinha conseguido no jogo de ida. Um banalíssimo passe errado de Nainggolan no meio campo fora imediatamente roubado em um ataque dos ingleses que em combinação Firmino-Mané acabaram no gol. Inútil fazer colocações sobre a defesa a 3 (em Anfield) ou a 4 (no Olímpico), alta (em Anfield) ou baixa (no Olímpico). O tema era sempre aquele, uma Roma que chegou aos confins da sua possibilidade e um Liverpool mais solto, venenoso e talentoso no ataque. Inclusive se dessa vez com Salah enxuto. O Liverpool nesta Champions fora de casa sempre fez gol e o dado soava angustiante desde o inicio. Poderia bastar já o 1 a 0 a colocar de joelhos a Roma, se uma pastelada de Milner em uma tentativa de afastar a bola de Lovren não tivesse causado um deselegante gol contra, restituindo a Roma a esperança.

Foi Wijnaldum a dar ao Liverpool o gol da segurança. Quem marcava o meio-campista ? Porque Dzeko gira para trás de cabeça? Por trás de cada gol existe um grande ou pequeno erro e a Roma infelizmente não poderia permitir-se nem mesmo um. O empate de Dzeko vinha sob uma classificação comprometida, mas não sob uma partida encerrada. A entrada de Ünder dava a Roma vivacidade e ocasiões, houve inclusive um pênalti depois do toque de mão de Arnold na conclusão de El Shaarawy, mas o arbitro não vê nada mais que um escanteio. E um outro sobre Dzeko aterrado por Karius, se não fosse indicado um impedimento inexistente. No calor do campo a Roma não protestou mais que deveria, quase resignada: depois a rajada nas redes de Nainggolan que mantinha a cabeça erguida, para enfim converter inclusive um pênalti depois do toque de mão de Klavan, fazendo assim o tabelão mostrar o 4 a 2 final. Haveria necessidade de mais um para levar o jogo aos suplementares. No final do jogo, Monchi tomou posição: “houve um pênalti clamoroso e a respectiva expulsão. E sou espanhol e estou aqui a um ano, mas o momento para o futebol italiano é de levantar a voz, é clamoroso o que aconteceu, não é normal. Cumprimentos ao Liverpool, mas em Anfield tomamos o terceiro gol em posição irregular, aqui não teve o pênalti. Não entendo porque não tenha o Var, é fundamental para evitar esses erros”. Os 62 mil do Olímpico gozaram de uma noite de orgulho, juntamente com os 5 mil de Liverpool que vieram aqui sob escolta. Tudo somado 34 anos atrás, para a Roma, foi muito doloroso, com a tortura dos penaltis. Desta vez foi longo, belo e uma comovente despedida.

 

@fabriziobocca1

ROMA (433): Alisson, Florenzi, Manolas, Fazio, Kolarov, Nainggolan, De Rossi (69' Gonalons), Pellegrini (53' Under), Schick, Dzeko, El Shaarawy (75' Antonucci)

LIVERPOOL (433): Karius; Alexander-Arnold (47' s.t. Clyne), Lovren, van Dijk, Robertson; Wijnaldum, Henderson, Milner; Salah, Firmino (42' s.t. Solanke), Mané (38' s.t. Klavan). A disp.: Mignolet, Moreno, Woodburn, Ings Téc.: Jürgen Klopp

Cartões: 44’Lovren, 76’Florenzi, 84’Manolas, 84’Robertson, 90’Solanke

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