EU, EU MESMO E A ROMA
Já que tenho divagado em tantas ficções, nada mais interessante que também trazer a tona essa bastante irreverente comédia do Jim Carrey. A Roma em sua dupla interpretação como uma sagaz equipe que brilha na Europa (salvo seu deslize inicial desconcertante com o Madrid na primeira rodada, de qualquer forma compensado pelo tropeço dos merengues em Moscou) e por outro lado a medíocre e insolente algoz que penaliza sua torcida no campeonato italiano com embaraçosas apresentações. Nesse emaranhado de contradições resta-nos saber até onde será possível toda essa eloquente sensação nos tomar de surpresa como uma engraçada ficção de mal gosto. Serve agora deixar o “eu te disse” no modo automático e tentar adivinhar até onde poderemos engolir essa frenética loucura.

Síntese: Gazzetta

Armada giallorossa. A Roma ressurge na Copa. Dzeko traciona contra o CSKA: tris e primeira posição. Doppietta para o bósnio gol de Under: Di Francesco esquece as incertezas do campeonato

Por: Pierfrancesco Archeti

Não é apenas a perfeita introdução as partidas de retorno no grupo, sem ansias de reversão; o sucesso serve para a Roma para tirar de cima de si as polemicas do campeonato e as melancolias para uma temporada que arriscava se tornar um horizonte obscuro já em outubro. Os aplausos são consensos europeus que se refletem inclusive em todo grupo da mesma forma agraciado somente no sábado passado. A sétima vitória interna consecutiva leva consigo a convicção da noite. Tipo as certezas de rever de Edin Dzeko, dois gols e uma assistência, depois de muitos tremores e erros contra a Spal. Ou ainda a defesa que consegue terminar sem pior suas estatísticas (15 gols sofridos em onze partidas). Mesmo se as ocasiões para os russos, antes e depois do tris giallorosso, não faltaram (bravos Manolas e Olsen). E depois o líder que confirma sua função fundamental para fornecer personalidade e caráter. Di Francesco deverá saber balancear bem repousos e presenças obrigatórias.

OS MOTIVOS - Na leitura técnico-tática, o movimento definido pela Roma é o de atacar o coração da área e não perder-se lateralmente. Os três gols são uma demonstração. Se os flancos estão bem cobertos, porque os russos estendem uma defesa em cinco, se passa do centro, onde existem guardiães de pedra com pés e agilidade. Assim já os dois gols do primeiro tempo pingaram pontuando no meio e trocando inclusive os atores. El Shaarawy entra nas comemorações com armamento leve como pivô, não com incursões pescando a linha próxima aos bancos, segundo a qual seria a sua colocação no 4-2-3-1. Está no limite da área, de costas para o gol: a primeira vez triangula com Pellegrini para redefinir uma ação de 29 toques; Lorenzo mete Dzeko no gol com uma jogada surpreendente, para os russos; para o 2 a 0 Elsha abre ao bósnio emboscado na direita e também em leve impedimento. No terceiro então Edin é a torre profunda que arma a esquerda de Under. Assim a Roma reage ao balanço perigoso dos moscovitas na fase de ataque; partindo da meia cancha, trocando as posições, tomando em velocidade Nzonzi e De Rossi, além dos defensores, Vlasic e Chalov terem dito alguma maldição para Olsen, bravo em tocar pedradas descompassadas. E então se mantiveram vivos após os 3 a 0, com trocas, sem porém passar, não obstante de 10 para 5 corners.

SUPERAÇÃO DA ROMA - Pelo menos na Champions, a Roma não é de vaias, ao lado do Real Madrid na liderança do grupo. Recupera confiança e homens com a volta de Manolas e De Rossi, enquanto Kolarov ainda não está 100% e entra em campo apenas no segundo tempo. Existiu então algumas escolhas inclusive obrigatórias, tipo El Shaarawy na esquerda e não Kluivert que teve que renunciar pouco depois do inicio, sempre recordando que Pastore e Perotti estão lesionados. É uma situação no limite para o treinador, porém a noite feliz envolve inclusive as segundas escolhas. O CSKA Moscou havia chegado com a fama de justiceiro do Real Madrid, mas nesta temporada não é apenas uma exclusividade sua. Em todo caso, o primeiro lugar do grupo era uma surpresa, não durou muito. Viktor Goncharenko , 41 anos, bielorusso, quando treinava o Bate Borisov empatou duas vezes com a Juve (de Ranieri), mas se passaram dez anos: outros tempos, outras equipes. O treinador procura desfrutar sua reconquista técnica e a velocidade de de Chalov e Vlasic, irmão da croata Blanka, saltadora campeã do mundo. Bravos no inicio e espalhados na movimentação do 5-4-1 que se tornou 3-4-2-1 ou ainda também um 3-2-1-4. Tentativas inclusive corajosas, mas que deixam descoberto o meio. E a Roma sabe onde se meter.

@pfarchetti

ROMA (4231): Olsen, Florenzi, Manolas, Fazio, Santon, De Rossi (81' Schick), Nzonzi, Under (74' Kolarov), Pellegrini (68' Cristante), El Shaarawy, Dzeko

CSKA MOSCA (3-4-2-1): Pomazun; Mario Fernandes, Chernov (12’ s.t. Khosonov), Bacao, Magnusson, Nababkin; Vlasic, Akhmetov, Oblyakov (12’ s.t. Dzagoev), Sigurdsson; Chalov (43’ s.t. Nishimura) A disp.: Kymats, Efremov, Gordyuschenko, Zhamaletdinov Téc.: Viktor Goncharenko

Cartões: 71’Kirill Nababkin e 88’Arnór Sigurdsson

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