NOITE DOS MILAGRES
Você acredita em milagres? Será que agora que a conotação saiu um pouco do profético (será?) e caiu nas graças do vassalo você daria credibilidade? E em se tratando de Roma? Daquele tipo que só acontece em ficções e romances bem arquitetados, como por exemplo quando o anão Tyrion Lannister tinha que comandar e defender Casterly Rock sem a mínima credibilidade? Pois é, mas entre uma super produção bem dirigida e produzida, no caso aqui o Game of Thrones, e o mundo real a diferença é que não se pode mudar o cenário, colocar atores de ponta, ensaiar repetidas vezes a mesma cena, e por fim, o mais importante: fazer com que tudo saia perfeitamente no final. Os ateus chamariam de “noite mágica” para que a conotação lúdica, embora tenha que se acreditar de qualquer forma, tenha um cunho menos lírico que o então pueril e sacro clerical. De todo modo não importa como você descreveria esse momento, o palpável disso tudo é que verdadeiramente aconteceu, como naqueles sonhos que não se quer acordar mais. Uma epopéia de adrenalinas e sensações puras, que nenhum outro vício pode lhe proporcionar. Porque não é artificial é real e íntegro. Diria que na minha vida, não assisti nenhuma outra partida de futebol tão fiel ao sentimento. Não tenha dúvidas, chorei! Não seja tímido, explodi em alegria como o piá pançudo do doce de leite trazido pelo Sr. Antonio da feira de domingo.    

Síntese: Corriere dello Sport

Dzeko, De Rossi e Manolas! É semifinal da Champions League. A equipe de Di Francesco realiza a clamorosa reversão batendo por 3 a 0 em casa o Barcellona de Messi e presenteando a semifinal da Liga dos Campeões da Europa.

Por: Simone Zizzari

ROMA - A Roma está na lenda. No final de uma partida incrível, única, especial, Dzeko e companheiros presenteiam a própria torcida uma vitória delirante. Um 3 a 0 que humilha o Barcellona de Messi e leva a equipe a semifinal da Champions League. Um triunfo diante de um Olímpico lotado ao improvável, um estádio que exalava amor e que viveu uma partida extraordinária, impensável as vésperas. Mérito de todos e sobretudo de Di Francesco que mudou a pela de sua equipe entrando em campo com um 3-5-2 que deslocou um Barcellona jamais perigoso, por nada subvencionado por um Messi reduzido a um fantasma pelos perfeitos movimentos da retaguarda romanista. Champions League, Roma-Barcellona: a partida vista das redes sociais.

Ali no meio do campo tinha um De Rossi a ditar as leis, colocando a tona uma prestação de capitão verdadeiro, sempre no vivo da jogada, sempre pronto a despachar e fazer a barragem contra tudo e contra todos além de autor da conversão do pênalti que reascendeu as esperanças da torcida. Na frente, enfim, menção de honra para Dzeko, em uma noite estelar e autêntico condutor da equipe com o enésimo gol aplicado no Barça. O gol classificação, então, tem a assinatura de Manolas a dez minutos do final. Justo como nas fábulas mais belas. De Rossi e Manolas, protagonistas negativamente no Camp Nou com os dois gols contras que haviam marcado no jogo de ida, heróis na noite inesquecível do Olímpico com dois gols que levam a Roma entre as quatro melhores da Europa.

PRIMEIRO TEMPO, QUE ROMA! - O primeiro tempo é um monologo da Roma. Impressionante o modo pelo qual os giallorossi conseguem esmagar o Barcellona no próprio campo de defesa. A retaguarda visitante está em perene dificuldade e vacila várias vezes com Umtiti no meio e Semedo na direita em evidente estado de confusão. É sobre as faces que se desenvolve principalmente o jogo do time da capital: Florenzi na direita e Kolarov na esquerda empurram constantemente e obrigam Sergi Roberto e Iniesta a um trabalho de cobertura. Na frente Dzeko vai que é uma maravilha, mantendo em apreensão os dois centrais Piqué e Umtiti. A medida de Di Francesco com um 3-5-2 muito ofensivo se torna vencedor.

No primeiro tempo o Barcellona se vê nas bandas de Alisson apenas sob duas bolas paradas descompactadas por Messi e sobre uma incursão de Sergi Roberto sem muitas pretensões. o resto foi só Roma. E justo os giallorossi conseguem desbloquear o resultado na abertura. Estamos aos 6’ quando um lançamento de De Rossi encontra Dzeko na área blaugrana: o atacante é bravo em antecipar Umtiti e a saída de Ter Stegen a enfiar o gol que acende os 70 mil do Olímpico. Para o bósnio é o terceiro gol nos últimos três duelos contra os catalões. Schick, mais vivaz que o comum, devora uma grande ocasião de cabeça aos 37’, passando ao lado da trave sua conclusão depois do cruzamento de Fazio. Ter Stegen é solicitado extraordinariamente duas vezes por Dzeko, literalmente irrestringível. O primeiro tempo se encerra com a Roma a recriminar por uma vantagem muito acanhada pelo que construiu e um irreconhecível Barça merecidamente atrás do placar (não acontecia na Champions desde abril de 2017 contra a Juventus).

DE ROSSI E MANOLAS SHOW - O segundo tempo da Roma é fúria no estado puro com o Barcellona, se possível, ainda mais sob pressão. Dzeko continua a sua monumental prestação e aos 57’ desfruta do melhor modo possível a verticalização de Nainggolan escapando rumo a Ter Stegen. Sobre o bósnio intervém Piqué que o estende claramente na área blaugrana. É pênalti. Na marca do penal se dirige De Rossi que ensaca sob a Curva Sul. O 2 a 0 agora reabre qualquer discurso. O milagre já não parece mais assim irrealizável. O pós gol acorda o Barcellona que tenta avançar a marcação depois de uma hora de sofrimento e barricadas. Nainggolan e De Rossi assistam Ter Stegen em duas ocasiões. Di Francesco descarta Under no lugar de Schick nos últimos vinte minutos. Aos 74’ Messi acorda encontra a primeira inspiração da partida, mas arremata muito centralmente para assustar Alisson. Na ação seguinte é Ünder a buscar um chute em movimento porém fora de medida. Di Francesco muda o módulo passada para o 3-4-3 com El Shaarawy em campo no lugar de Nainggolan. Aos 79’Florenzi cruza na área uma bola para a segunda trave sobre a qual chega El Shaarawy antecipando Semedo e milagrosamente Ter Stegen salva a classificação blaugrana. Aos 83’ vem o gol do milagre e o realiza Manolas desviando de cabeça uma bola cobrada por Ünder. É o 3 a 0 que consente a essa partida entrar para historia do futebol. Os últimos minutos são intermináveis para De Rossi e companheiros. Dembelé e Messi provocam suspiros em duas ocasiões, mas o gol não chega e não chegará mais. A Roma aniquila o Barcellona e vai para as semifinais da Champions League, uma classificação de calafrios em uma noite que o povo giallorosso nunca mais esquecerá.

@szizzari

ROMA (352): Alisson, Manolas, Fazio, Juan Jesus, Florenzi, De Rossi, Strootman, Kolarov, Nainggolan (77' El Shaarawy), Dzeko, Schick (73' Under)

BARCELLONA (442): Ter Stegen; Semedo (40' s.t. Dembele), Piqué, Umtiti, Jordi Alba; Sergi Roberto, Rakitic, Busquets (40' s.t. Paco Alcacer), Iniesta (36' s.t. André Gomes); Messi, Suarez A disp.: Cillessen, Vermaelen, Denis Suarez, Paulinho Téc.: Ernesto Valverde

Cartões: 38’Fazio, 44’Juan Jesus, 57’Piqué, 53’Messi, 72’Suarez

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