EQUIVOCADAMENTE ROMA
A pestilência de erros abusivos dos últimos meses, e porque não dizer “dias” golpeia fulminantemente todos os setores do clube. Do presidente, passando pelos dirigentes até finalmente o técnico. Estamos a procura de um “cristo” para poder acalmar os ânimos de uma cidade enfurecida e de uma torcida indignada com uma temporada que mal começou, mas que já dá sinais de concluída: e da pior forma possível. Anteriormente escrevia que para entender um pouco mais da Roma era preciso se precaver de situações desastrosas como essa, que para os mais inflamados e desatentos, apenas buscar com a foice da ignorância resolveria vez por todas os problemas até aqui apresentados (será?). Não, respondo com convicção. Se estudarmos um pouco mais a fundo a história da Roma verificaremos que isso é bastante crônico na sociedade e essa percepção vem do modo de como a sociedade é administrada e principalmente da forma como eloquentemente toma decisões precipitadas visando uma ansiedade a qualquer custo de um desejo sem sustentação. Por incrível que pareça o clube tinha dinheiro, não era muito, mas o suficiente para deixar o time um pouco mais interessante do que era. Precisava apenas manter sua base, buscar ajustes na frente e talvez na sua lateral para daí sim começar a sonhar com algo mais substancial. Ao invés disso uma revolução absurda baseada em pensamentos aleatórios como se fosse um front de batalha em desespero onde qualquer coisa sempre será a mesma coisa, ou não?

Síntese: La Repubblica

A crise giallorossa com a derrota diante do Bologna mostra-se uma equipe enfraquecida pelas cessões dos melhores e reconstituída mal. Depois dos 690 milhões de investimento está tudo como no princípio. O presidente: “estou decepcionado”. A lanterna da Roma, a era Pallotta sob mira.

Por: Matteo Pinci

A equipe escoltada e no retiro punitivo direto para Trigoria, os torcedores que ameaçam veladamente e protestam, o presidente que assume o mea culpa e o treinador no ciclone de críticas. A pior Roma americana, isto dizem os números: depois dos 690 milhões de investimentos, a equipe está ainda no ponto de partida, pior ainda que aquela de sete anos atrás com Luis Enrique que iniciou desastrosamente. O diretor esportivo Monchi deixou a arquibancada depois que Santander ampliou, que antes o Bologna criticava e hoje ao grito “quem que liga pro Ronaldo” “Ninguém está mais irritado ou desgostoso do que eu”, sustentava no final da partida Pallotta replicado por coros da torcida que gritavam “vá embora”: mas o desabafo do presidente soa com um ultimatum, visto que a última vez que disse isso depois do jogo entre Roma e Spezia em 2015, Rudi Garcia pouco depois foi exonerado. E sentindo-se cercado Di Francesco não poupou ninguém: “As lambanças me condenam. Agora antes do módulo devo escolher os homens”.

Se o Bologna que não havia jamais marcado pode vencer por 2 a 0 sem nunca temer o inverso, o mérito é de Pippo Inzaghi, claro. Mas é inclusive o cúmplice de uma maquina no topo e no fundo, capaz de em cinco meses zerar o Everest que havia escalado chegando a semi-final da Liga dos Campeões e chegando a um gol da final de Kiev. Depois houve o verão: 12 aquisições e 7 cessões que deixaram uteis ao mercado 21 milhões ao preço de uma profunda, insuperável sensação de incompatibilidade. Como se as mãos dessa Roma tivesse menos diálogo com o cérebro antes de tomar decisões.

“Falar de erros de mercado e cedo”, dizia Monchi antes do tropeço bolonhês. Depois de ter seguido por um longo tempo Ziyech, meia ala marroquino do Ajax, acabou ficando porém com Pastore. Mas a compra da vez era um “dez”, única função ainda não completada no 4-3-3 sobre o qual Di Francesco escolheu de incrementar o projeto tático. Como se o diretor esportivo espanhol houvesse na cabeça um sistema diferente. E depois: Cristante e Pellegrini se assemelham muito, sobretudo nos limites devidos da idade. Nzonzi é um colosso habituado a jogar em um meio campo a dois, não três: não é De Rossi para entender, mas muito menos Strootman. Que se tornou hoje catalizador dos arrependimentos da torcida não fosse ainda porque venderam com o mercado já encerrado, sem poder substituí-lo: será casual, mas em campo ele estava em Turim 36 dias atrás, na última (única) vitória da Roma neste temporada. A questão também é física: a equipe não corre, 15 formações na A percorreram mais quilometragem. No verão mudaram até mesmo os preparadores: foi embora Norman e Lippie, sustentados por Pallotta e retidos como responsáveis da area de lesionados. Di Francesco queria Franchini, com ele no Sassuolo, um ano atrás impôs Vizoco, que conheceu no Val di Sangro na Série C2. Agora inclusive ele denuncia: “Somos lentos”. Apontando então o indicador a alguns, sem nomina-los: “erramos o gol de um metro, serve malicia”, pensando em Pellegrini talvez, ou em Dzeko, que ontem partiu sozinho para Milão, convidado com a delegação da Roma para festa de um estilista.

Leia esta frase: “No primeiro tempo parecia que estávamos jogando um amistoso: sem empenho, sem alma”. Disse o treinador da Roma em Bolonha, não ontem mas a 14 anos atrás, na última derrota no Dall’Ara: no dia seguinte, Rudi Voeller pede demissão. Apenas um dos tantos, cíclicas cirandas que se tornam crônicas, nessa equipe. No qual mudam jogadores, treinadores, até dirigentes e proprietários sem nada mudar. Agora sobre Di Francesco a nuvem da sugestão Conte: como se bastasse um nome para resolver os equívocos.

@matteopinci 

BOLOGNA (3-5-2): Skorupski; De Maio, Danilo, Calabresi; Mattiello, Svanberg (Mbaye dal 16' st), Nagy, Dzemaili, Krejci; Santander (Destro dal 36' st), Falcinelli (Okwonkwo dal 23' st). A disp.: Santurro, da Costa, Corbo, Dijks, González, Paz, Valencia, Orsolini Téc.: Filippo Inzaghi

ROMA (433): Olsen, Florenzi, Manolas, Fazio (64' Kolarov), Marcano, Pellegrini, De Rossi, Cristante (54' Pastore), Kluivert (59' Under), Dzeko, Perotti

Cartões: 30’De Rossi, 33’Cristante, 63’Fazio, 79’Pellegrini, 91’Mbaye e 93’De Maio

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